Quinta dos Aciprestes

A Quinta dos Aciprestes contorna o Rio Douro com as suas encostas suaves, numa área totalmente replantada com as variedades mais nobres da Região Demarcada do Douro.
Situadas entre as sub-regiões do Cima-Corgo e Douro Superior, as suas vinhas beneficiam de um microclima, que oferece condições ideais para o amadurecimento de uvas tintas.

Desde o ano de 1860 que a “Quinta dos Aciprestes” é o resultado de uma conglomeração de várias quintas limítrofes. A quinta original – chamada dos “Cyprestes” – foi fundada no séc. XVIII por D. José de Seabra, um dos Ministros da Rainha D. Maria I e, depois, propriedade dos seus sucessores, os Viscondes da Baía.

Actualmente, a Quinta dos Aciprestes estende-se por mais de 2 km sobre a margem esquerda do Rio Douro, na zona do Tua. Facilmente identificável pelos seus Ciprestes, árvores localizadas junto à casa da quinta, e pela caracterização paisagística do local, enquadrada por vinhedos dispostos na vertical, destacando-se a ausência dos tradicionais socalcos, fruto dos recentes trabalhos de reconversão das vinhas. Nos últimos 50 anos, a Quinta viu uma reconversão total das suas vinhas, onde foram plantadas algumas das mais nobres castas da região. O microclima nesta Quinta que conta com mais de 100 ha de vinha, é ideal para o amadurecimento de uvas tintas.

Como resultado dessa recente transformação, 90% das vinhas existentes na quinta são plantações recentes e no sistema de vinha ao alto.

A introdução pioneira no Douro, há cerca de 30 anos, de tal sistema de plantio e condução, permitiu atingir elevados índices de mecanização na propriedade.

Caracterização, Localização e Ecologia.

A Quinta dos Aciprestes é uma das mais reconhecidas propriedades durienses no que respeita a excelência do Potencial Vitícola do seu “terroir”. Sendo a Quinta, reconhecida pela classificação na letra A para atribuição de Benefício (Vinho do Porto), a qualidade e singularidade dos vinhos tintos aqui produzidos ao longo de mais de dois séculos é também associada à tipicidade dos tintos durienses.

A Quinta padece de uma magnífica paisagem enquadrada pelo Rio Douro, numa frente ribeirinha de 2,2 km e é retratada pelas onduladas encostas povoadas de belas vinhas, localizada no coração da Região Demarcada, numa zona considerada de excelência. Situa-se na freguesia de Soutelo do Douro, em frente da foz do rio Tua (afluente do Douro), praticamente na transição entre as sub-regiões do Cima Corgo e do Douro Superior.

A Quinta dos Aciprestes é uma propriedade bem característica da Região Duriense e evidencia claramente a realidade duma viticultura de montanha. A vinha ocupa, em toda a sua extensão, as vertentes de encostas mais ou menos declivosas, cujo relevo original possuía declives entre 30% e 50%.

A área total da Quinta localiza-se a altitudes compreendidas entre os 100 e os 350 metros, um pouco acima do leito do rio Douro. A exposição predominante é para o quadrante Norte, entre as direcções Nordeste e Noroeste. Esta exposição é muito interessante pois contribui para a formação dum microclima particular, determinante do “terroir” da Quinta dos Aciprestes.

CLIMA

Como um pouco por toda a Região Duriense, a Quinta beneficia dum clima de características Mediterrânicas, ou seja, de duas estações bem diferenciadas: a húmida de Outubro a Abril e a seca de Maio a Setembro.

Valores meteorológicos registados na quinta:

• Temperatura média anual = 18,2 ºC

• Temperatura média (Abril a Setembro) = 23,8 ºC

• Precipitação anual (média 30 anos) = 623 mm

• Somatório de temperaturas superiores a 10ºC (Abril a Setembro) = 2.426ºC

No clima da Quinta dos Aciprestes é bem sensível um elevado índice de aridez, em razão das altas temperaturas estivais: rápida concentração térmica do tipo megatérmico e do acentuado deficit de água no Verão.

Tais características climáticas são particularmente favoráveis à cultura de casta tintas para a produção de vinhos da Denominação de Origem Porto e excepcionalmente favoráveis para a produção de vinhos da Denominação de Origem Douro.

SOLOS

Tipificam o que é corrente na Região Demarcada do Douro, são terrenos com textura grosseira, com algum limo, mas carentes de elementos finos, de muito baixa fertilidade, com teores de matéria orgânica muito baixos, ácidos ou muito ácidos (pH <6) e deficientes na estrutura.

• Espessura: 20 a 40 cm

• Rocha – Mãe: Complexo Xisto-Grauváquico

• Origem: Período Pré-Câmbrico

• Designação: Leptossolos (originais); Antrossolos (preparados pelo Homem)

Não obstante tais carências pedológicas, a realidade é que a vinha coabita satisfatoriamente com aquelas condições, prospera bem e produz uvas de grande valia enológica.

VINHA

Em 1979, pela mão Manuel da Silva Reis, deu-se início a uma reconversão das vinhas velhas da Quinta dos Aciprestes. Com o propósito de focar na produção de Vinho do Porto mas também vinho Douro DOC de qualidade. Foram escolhidas castas de mais valia qualitativa, sendo estas a Tinta Barroca, Touriga Franca, Tinta Roriz, Touriga Nacional, Tinta Amarela & Tinto Cão plantados com condução tradicional de mistura.

A partir de 1998, já pela mão de seu filho Pedro, as restantes Vinhas Velhas foram replantadas com parcelas extremes de Touriga Nacional, Touriga Franca, Sousão, Syrah e mais recentemente Tinta Francisca.

Área Total de Vinha:  114,7 Hectares

• Vinhas Velhas (idades superiores a 50 anos) – 70 ha

(As castas Tinta Barroca, Touriga Franca e Tinta Roriz predominam no encepamento, representando, no seu conjunto, 90% das variedades cultivadas nestas vinhas)

• Vinhas Novas (Idade inferior a 30 anos) – 44,7 ha

(Estão plantadas em talhões de castas estremes com as castas de maior valia enológica na Região)

Área de vinha por castas (excl. Vinhas Velhas) (B= Branco | T= Tinto)

• Touriga Nacional (T) 19,72 ha

• Touriga Franca (T) 6,30 ha

• Sousão (T) 4,28 ha

• Tinta Francisca (T) 1,05 ha

• Tinta Amarela (T) 0,67 ha

• Tinta Roriz (T) 0,55 ha

• Rabigato (B) 2,53 ha

• Syrah (T) 1.7 ha